carta que encontrei 1

O amor platônico é aquele vivenciado à distância, porém, com a proximidade, ele se arrefece e se torna fria. Amores frios não existem. Então como algo pode ser e não ser? A resposta é que não é. Impossível, você bem sabe, que não existe algo que seja verdade e mentira. Então amores platônicos não existem? Então que nome dou a esse sentimento que intensifica meu amor por ti? Que nome dou a isso que, caindo um cheiro específico no meu olfato, desperta-se uma memória que sempre, mas sempre, gera as mesmas atitudes em mim: meu braço, como num desmaio, descola do meu corpo e, mole, cai sem que eu note; minha boca abre uma fenda, através da qual, lanço suspiros rítmicos que mais parecem um assobio melodioso; meu queixo se ergue acompanhando minha cabeça a confrontar o teto, perdida, como minha mente. Assim se segue. Acho-me depois de uns instantes, a tentar saber qual pensamento me ocupava antes de ser dominado. É ditoso ser tomado pela tua presença, mas tudo tem um limite, e preciso me concentrar. 
Voltando ao que estava falando, já me perdi, olha só?! Pois então, que sentimento é esse, se o amor platônico não existe ou é paradoxal? A palavra 'saudade' vem a sua mente. Mas será mesmo? A saudade, por acaso, é prima ou irmã do amor ou existem amores sem saudades? Amores desapegados são desapegados da saudade? Ou dela são íntimos? 
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