segunda geração romântica

Na madrugada, ela aparece com voz suave e manhosa,
dá-me um beijo gélido e funebre e diz-me 'acompanha-me'
Eu te sigo por entre uma névoa com tua mão na minha. Sinto nos pés uns pedregulhos, logo depois um capim bem aparado. Percebo que quer me levar ao próprio túmulo. Reluto, porém é mais forte que o meu medo.
Dorme comigo hoje, meu preto - ela me fala com voz maviosa nunca ouvida.
Olho-a escandalizado, sem palavras. O único gesto que faço é de me abaixar e de me envolver com meus próprios braços numa posição fetal ao que ela se aproxima por trás.
Sinto novamente a mão dela na minha nuca. Ela beija-me o rosto e diz:
Lembra-se de que você me matou naquela noite sem lua? Acho que mereço mais uma noite contigo.
Entrego-me. Nunca a senti tão quente naquele abraço ao dormirmos, nunca seu beijo foi tão excitante, nunca me senti tão compreendido e amado. Senti arrependimento e tesão.
Amanhece. Retorno à casa. Encontro minha atual esposa.
'Será que se eu matá-la, vou poder viver o regozijo do princípio? O que tem na morte que afasta os momentos ruins e que acolhe o que gerou a felicidade?'
Dou 3 machadas.
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