O que um prosaico carrega?

O orgulho fere meu calcanhar 
A vergonha diminuí meus olhos 
A descência se mascara de inocência 
Atrelado estou aos números,
observando as ruas
Panfletos, boletos, ligações, fumaça
Deito a coluna na cama
E deparo-me com usurpadores sentimentos
Dotados de ilusão em um vendaval magnífico
Não valerá de nada um andar desajeitado 
A percepção de igualdade é apenas falácia?
Vejo em minha retina,
corpos em volta reparam o fenômeno,
dançam na simpatia desse mistério 
E finalmente amarram e suprimem minhas entranhas

                                                                                          - Rafael Gonçalo
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