viver será assim tão absurdo?!...
os dias morrem as noites também
e eu aqui a pensar na vida
é preciso caminhar e não deixar
de sonhar...
o vento uiva suavemente,
conheço-lhe a voz sonora, ora terna,
ora irritada e exigente
e logo o dia se vai embora,
morre a vontade no meu coração
chega a noite com sua altivez de rainha
aumenta esta solidão tão minha
a vida que era um pássaro livre,
é agora amarga como o choro dum violino triste,
e eu, velha árvore batida pela tempestade
que anda sem tino,
caminho p'las ruas da saudade.
os dias morrem e as noites também
caminho com um passo arrastado
como o lento navegar das nuvens p'lo céu
a morte espreita. e o corpo vai cedendo
quebrado... sem que entenda nada
fustiga-me o tempo e eu fico num pranto surdo
e nas janelas da insónia eu vejo como viver
é um absurdo....
e o que não entendo, é estar tão perto de mim
e tão de mim perdida,
no frio silêncio da tarde, deixo-me a pensar na vida,
com o bulir gritante da memória que não dá descanso
arrasta-me como um vendaval que não cede,
é na saudade que mato a sede, essa saudade
que me molha o peito
tatua em mim a ternura
de voltar a sentir a inocência,
e me enlaça com braços de frescura.
faz-me sentir andorinha da madrugada
ou primeira flor da primavera,
solitária e fugaz pincelada
de sol acariciante...
e aqui fico numa alegria transbordante
a relembrar a juventude, enquanto
os dias morrem e as noites também.
natalia nuno
e eu aqui a pensar na vida
é preciso caminhar e não deixar
de sonhar...
o vento uiva suavemente,
conheço-lhe a voz sonora, ora terna,
ora irritada e exigente
e logo o dia se vai embora,
morre a vontade no meu coração
chega a noite com sua altivez de rainha
aumenta esta solidão tão minha
a vida que era um pássaro livre,
é agora amarga como o choro dum violino triste,
e eu, velha árvore batida pela tempestade
que anda sem tino,
caminho p'las ruas da saudade.
os dias morrem e as noites também
caminho com um passo arrastado
como o lento navegar das nuvens p'lo céu
a morte espreita. e o corpo vai cedendo
quebrado... sem que entenda nada
fustiga-me o tempo e eu fico num pranto surdo
e nas janelas da insónia eu vejo como viver
é um absurdo....
e o que não entendo, é estar tão perto de mim
e tão de mim perdida,
no frio silêncio da tarde, deixo-me a pensar na vida,
com o bulir gritante da memória que não dá descanso
arrasta-me como um vendaval que não cede,
é na saudade que mato a sede, essa saudade
que me molha o peito
tatua em mim a ternura
de voltar a sentir a inocência,
e me enlaça com braços de frescura.
faz-me sentir andorinha da madrugada
ou primeira flor da primavera,
solitária e fugaz pincelada
de sol acariciante...
e aqui fico numa alegria transbordante
a relembrar a juventude, enquanto
os dias morrem e as noites também.
natalia nuno