Madrugada insone


Desperto em plena madrugada,
olho pela janela, contemplo a rua
que se desnuda sob um negro véu,
enquanto o silêncio a envolve.

Exponho-me à brisa presente,
de extenuada noite de verão,
tal qual expiração corrente
do imenso e quente borrão.

Agora, que a imposição da hora
impacta meu insone pesar,
deixo meu pensamento vagar
e rendo-me ao momento sem lutar.

Relaxo, contemplo o emergir
de um alvorecer fulgente.
Reflito, sobre o desejo de fugir
e fixo-me ao real que me prende.

A rotina acorda e me desconecta
desta madrugada cabotina
e, assim, o jovem dia a sabatina
sobre a realidade que me intima.
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