Escritas

CARTA VI

maria_ana_guimaraes
Adeus.
Adeus.
Penso que não me volto mais a mim.
Nem a ti. Nem a nada.
Já morri.
Só não me consigo livrar deste corpo.
Imundo, inútil, partido, pútrido.
Sou pequenina.
Muito, muito pequenina.
Como pó, como o pó que sacodes dos livros.
Sou uma pedra num sapato vazio.
E o que resta de mim é o que até agora fui,
mas que nem sei dizer o quê.

Adeus.
Se me encontrarem pousada na rua,
deixem-me lá. Ou enterrem-me.
Ou como quiserem.
Porque eu não quero nada além.
De morrer.
Não me chorem, nem se pintem de preto,
nem tragam flores.
Essas não servem aos mortos,
Só aos vivos.

Adeus.
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Comentários (1)

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tsunamidesaudade63
tsunamidesaudade63
2021-05-20

Adorei