Escritas

Palavras ao mar num dia qualquer de novembro

AurelioAquino
não saberei nadar nos teus tormentos
nem a alegria beber nas tuas ondas
que esfaceladas jazem no peito dessa praia
em que nenhum pirata emergiu das sombras
nenhuma nau aportou no meu cansaço
sou simplesmente mais um navegador anônimo
espactador informe desses teus abraços

negra a noite cobre o corpo e o mar descobre
a insuficiência fatídica da tarde
boio na alegria escura dos teus líquidos
e na escravatura dos teus cabelos d'água
assim deitado sobre meus pensamentos
cooptastes minha felicidade
e em vão procuro registrar a vida
no vão de molusco dos teus avatares

assim parado em ti não me ouso homem
mas uma engrenagem a mais na tua imagem
e se me perco assim do teu retrato
é que já não caibo mais em teu espaço
quero ter braços de infinitos
e cabeças cheias de eternidade
para abraçar contigo todos os universos
e deitar-me sujeito dentro da tarde

quero cavalgar teus oceanos
abraçado ao corpo do meu povo
e como mar beber essa cidade
e como gente tragar o meu esforço
quero afogar-me em teu mister
de abraçar o mundo ternamente

quero, enfim, tornar-me onda
com uma rota enfim tão definida
e espalhar-me assim pelo meu povo
e me espatifar de encontro à vida
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