Escritas

Moça do fado

gilliardsantos
A moça vai tecendo o seu viver
Enquanto os galos tecem a manhã.
Na boca, o seu chiclete de hortelã;
Na bolsa, um troco em troca de prazer.

Costura o seu destino sem saber
O que a reserva o dia de amanhã.
Por hoje, quase ao fim do seu afã,
Não tem mais tantas coisas a perder.

Trajando uma existência dolorida
Bem cedo se tornou mulher da vida,
Brilhando entre os ditames da indecência...

A aurora descortina um novo dia
E enquanto a moça observa a hipocrisia,
Relembra os tempos bons da adolescência.
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Comentários (1)

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cedric_constance
cedric_constance
2021-04-30

Parabéns, belíssimo soneto que retrata a vida difícil de muitas mulheres nessa situação... expressou a tristeza de uma forma poética.