vida que sou vida que és

como mortos em um jardim,
olhamos o céu & só temos o véu
da noite desse século.

colocamos as máscaras,
higienizamos as mãos
& marcamos a distância segura
que nos separa uns dos outros.

examino teu corpo estendido, vida.
coloco as luvas & os EPIs certos
& de nada adianta tantas minúcias,
pois assim mesmo me contaminas:

tão rica de vida que és
tão rica de morte que estás
tão rica de tudo que sempre fostes

como não te amar mesmo assim?
a avidez de estar vivo,
de ver em que tudo isso vai dar.

te estendo a mão, vida,
& tu não me negas teu abraço,
teu aconchego que atravessa meu ser,
teu beijo mortal que me tira do corpo.
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