Escritas

Desromances

Alice Abreu
Não sei o que te faça ou o que te diga
Apanhas-me desprevenida...
Lês-me e mesmo assim não me entendes
Nem eu quereria que o soubesses fazer...

Encanta-me bem não sei o quê
E o quê de não saber aproxima-me e repele-me

Não te engano quando te digo que me enervas

E mesmo assim aqui caio por alguma razão
Talvez para cair repetidamente
Enquanto aguardo por respostas de quem me não sabe entender

-Noc noc - Digo eu
E tu quase nunca apareces
Mandas um mensageiro
Mandas-lhe dizer-me 'então, como foi o teu dia?'
E escondes-te , bem escondidinho , só a espreitar
Encosta-me ele à parede e eu nem sei para que lado me virar
Às vezes ataca-me por isto , outras vezes por aquilo ...
Sei que não é por mal
Mas às vezes atordoa-me de uma forma abismal

Também ele deve ficar tonto

(No fundo não passam de dois catraios a tentar perceber humanos e relações e relações e humanos ... )

Bem sei eu que fruto não proibído já não tão apetecido é
Só tenho é fé
Que se assim o for , me diga ele a tempo e horas
Para que caia sem demoras
E vá morrer para outro recanto