Escritas

Declaração de um amor desenfreado

AurelioAquino
eu saberei boiar nos teus olhos
como um náufrago amanhecido
e consumir todas as manhãs possíveis
na infinitude temporal do teu sorriso
e chorarei todas as tuas dores
navegante intenso do teu pranto
e morarei em todos teus adeuses
e nascerei em cada novo encontro
e enquanto as luas tremularem
outras luas eu trarei no peito
para jogar no colo do teu olho
que me saberá sempre a entendê-lo
minhas mãos serão bandeiras tuas
em qualquer vento que me pouses
e tuas mãos serão em cada encontro
os corrimãos da vida que me coube
e mesmo que não a paz
alguma calma te trarei nos braços
e em outras âncoras te farei contente
com a parte de mim que me sobrasse
eu te darei azuis
mesmo que a noite seja tanta
e mesmo que não tenhas estrelas
eu saberei conte-las no teu canto
e nunca porque seja assim
tão drasticamente consumido
acredites que eu em ti não seja
da largura exata do infinito
eu saberei morar no teu corpo
com a necessidade de um flagelado
e habitarás meu peito inteiro
com a certeza intacta dos abraços
eu saberei morar em teu desejo
inquilino frequente da vontade
e irei decompor-me em muitas almas
para que tenha tua alma em meu regaço
e até que eu tenha condição de mim
e circunstâncias de viver você
eu sonharei assim impunemente
as felicidades que em mim couberem
e caberei em cada palmo teu
nas léguas que constróis em cada sono
e dormirei em mim todo teu corpo
e habitarei em ti todo teu sonho
e morrerás em mim
quando eu morrer de ti 
com a certeza inequívoca
de que nunca morri.
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