SOPRO FINAL

afonso rocha
afonso rocha
1 min min de leitura

Minhas mãos são roseiras bravas
que colhem lágrimas de sangue
em meu rosto


Meus olhos são penumbras de ti
envoltos em névoa parda


E o meu cérebro recusa-se a pensar
no silêncio das profundezas do oceano
das palavras não escritas
em que navego à deriva...


Minha dor
abafa o meu grito
como golfinho ferido
Intenção vã
de o salvar da tempestade
anunciada


Meu sorriso
já não é o mesmo
ao aproximar-me das falésias
de escarpas famintas
onde cada gaivota espera
o meu sôpro final...
1 694 Visualizações
Partilhar

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
Rosa / Faro
Rosa / Faro
2011-03-06

Afonso Rocha, quanto desespero e angustia neste poema. Gostei imenso dele. Espero que já tivesse ultrapassado esse momento menos bom, se for auto-biográfico. Força, amigo. Rosa