SOPRO FINAL
afonso rocha
Minhas mãos são roseiras bravas
que colhem lágrimas de sangue
em meu rosto
Meus olhos são penumbras de ti
envoltos em névoa parda
E o meu cérebro recusa-se a pensar
no silêncio das profundezas do oceano
das palavras não escritas
em que navego à deriva...
Minha dor
abafa o meu grito
como golfinho ferido
Intenção vã
de o salvar da tempestade
anunciada
Meu sorriso
já não é o mesmo
ao aproximar-me das falésias
de escarpas famintas
onde cada gaivota espera
o meu sôpro final...
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