Silêncio mortal


E tu, feito pássaro da morte,
pousaste no canto da minha escrita,
roubaste todos os meus silêncios,
provei do teu gosto e guardei,
todos os teus sabores,
misturei ao meu sabor o sal do teu suor.
Bailei nos versos que a tua boca preferiu cantar.
bebi todos os teus segredos,
enfrentei todos os meus medos,
arrepiei-me com todos os teus poros e fiz renascer,
todos os teus apaixonados desejos,
Profanei a tua alma e, em troca, desnudei-te a minha.
É inútil esse teu profundo silêncio,
nestes dias que cheiram a taciturnidade,
sinto o teu cheiro e ouço todos os teus passos,
passeando por esta vazia e fria cidade...

Luzern, 27.03.2020 João Neves
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