A Criatura
Bárbara Cruz
a criatura acordava aflita
por milhões de coisas era sedento
por não ter mais ânimo com a vida
e faltar o desejo de olhar pro tempo.
suas tripas estão saindo!
a criatura é o centro do universo
teu resto está submerso
teu espaço já não é mais bem-vindo.
escreveu uma carta
não foi para si
nem pro tio
nem pra tia
e deixou ali
a assistindo enquanto a folha envelhecia.
sua casa
-a casa da criatura-
não tinha se quer um remédio pra cura
porém, tinha itens não essenciais
ausentava uma decoração escura
e a criatura surrava sua cara dura
pra esconder seu apego com os bens materiais.
caminhando nos trilhos,
folgado no sofá de couro
a criatura os lábios remexia
pegou isso de um touro
quando era criança
desde então, usava a semelhança
e nem percebia.
a criatura gostava de dormir em lugares inusitados
mas ultimamente dorme em lugares normais
não mais em beges telhados
nem em médias casinhas de animais.
deixaram ir a criatura
para eles, com ela ali
nada se ganha
segundo os tios,
ninguém atura
essa criatura estranha.
e foi
foi pra longe
longe da vaia
onde o mar se esconde
e o desgosto não caia
na doçura
da criatura
no horizonte
da praia.
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