VIAGEM
E eu que nem sabia nadar fui jogado no mar, e simplesmente segui em frente sem nenhuma terra querer avistar.
E eu que nem sabia nadar tive que aprender na marra, sem saber o motivo, tampouco o sentido, mas já era instruído onde deveria chegar.
E eu, que não sabia nadar, conheci a tal vida, na qual já era predefinida até o sentido de amar.
E eu, que aprendi a mergulhar na escuridão, imergido no fundo escutei no silêncio meu coração a pulsar.
Eu, então, que nem sabia nadar, para superfície não quis mais voltar.
Movido pelo cansaço,
enrolado no laço,
pés suspensos com sapatos,
me entreguei ao fim dos espasmos,
Parei de respirar.