A alegria de viver é servir
O que é viver pai?
Filho, seu velho avô dizia, que "quem não vive para servir, não serve para viver"!
A felicidade é um sentimento humano, então temos de fazer aflorar o que é bom. Entende?
Disse o filho: "mais ou menos, pai", conte-me mais.
Vou lhe contar uma história sobre a fé, prometa me ouvir até o final?
Claro papai.
Verá que ao fim, entenderá o que é felicidade.
Então fale papai, quero saber, me diz!
Havia uma mulher grávida, e na formação do ser que ela gerava, ao mesmo tempo nascia um ser pensante. Esse ser, não sabia o que se formava primeiro: "cabeça", "pés", "mãos" ou qualquer outro órgão, aliás nenhum membro que se formava, em um espaço tão limitado, fazia sentido, mas, dia a dia, ele crescia e inquieto dentro do ventre de sua genitora, respeitava seus limites que a própria natureza o impunha. E um elo de afeto, entre a genitora e ele, germinava.
Lá, não existia religião, mas havia fé. Aliás, a fé em ditos gerais é o firme fundamento das coisas que não se vê, mas se esperam. E ele esperava, que tudo que crescia, fizesse sentido e tivesse sua real utilidade.
Tempo a tempo, o embrião foi tomando forma e o espaço foi ficando pequeno, pois o desejo de fazer valer a pena, tudo que se conquistou até o momento, era esperado. Dada a hora, chegou o seu tempo, o seu nascimento, a nova realidade tão esperada e desconhecida.
Pois bem, com a grandeza que foi se desenvolvendo, foi ficando cada vez menor e o incomodo era certo, aliás a dimensão do ventre já não superava as expectativas da formação, do que vinha pela frente.
9 meses se passaram, chegou a vez. Nasceu; Chorou, tudo fez sentido.
O primeiro choro é o choque de realidade, do "oxigênio" queimando a narina daquele que era relativamente dependente de sua genitora. Foi difícil, doeu, quis voltar, não deu.
Então, passou para uma nova dimensão, moldou-se a ela, ao novo ventre; ao novo mundo; o nosso mundo; ao mundo dos relativamente dependentes.
Se esqueceu da origens, da existência e da pré-existência e o elo de afeto se esfraqueceu. Ora, enquanto no ventre, até para se alimentar necessitava da mãe. Fora dele, com o tempo, tornava-se individualista, pouco a pouco. Então, a partir desse divisor de aguás, nasceu um novo sentimento a "saudade".
A saudade, é a memória de um "sabor" da vida. É o sentimento de momentos da nossa vida que gostariamos de reviver. É o sentimento da ausência, retratado na sensação de ter. Guimarães Rosa disse: "saudade é o ser, depois de ter".
Aliás, a desconexão "umbilical", não necessáriamente deveria ser a desconexão do afeto e do amor. Quem semeia a desaproximação, colhe a solidão.
O que importa desta história, filho, é saber que toda gente têm seu espaço no mundo. E que as vezes não sabemos o significado das coisas que criamos e semeamos.
Mas, a vida é o próprio amor, dentro e fora do ventre, ele existe e subsiste, em qualquer plano.
Se você tentar aniquilá-lo, morrerá com saudade e se você semeá-lo viverá de saudade.
Tudo tem um sentido, e por isso seu avô estava certo ao dizer que "quem não vive para servir, não serve para viver."
A essencia do ser é um estado sútil de percepção, que desde o ventre se aflorava. Isso é, "o pensamento", mas, sem ver, já sente, pois tamanha sutileza é coexistir e existir. O amor nunca morre, ele pode até se desligar, mas a saudade é o seu avesso.
Felicidade, Saudade e vida, a triade indisolúvel do amor, que serve sem cessar, sem hesitar, sem excluir.
É isso, filho, até chegarmos aqui, passamos por um longo processo, sútis etapas, desenvolvemos, nascemos, crescemos no corpo, mente e espiríto e temos de tomar cuidado com as afluentes que surgem às derivas.
O "sentido" da vida é o amor.
Tenha tudo, corra atrás de tudo, só não se esqueça de amar e servir e não se deixe corremper pelo pensamentos de ganância pelo vil metal, pois a "ferida" do coração é a ausência do amor.
Na falta da essencia do ser humano, que é o amor, há grande sofrimento, dor e saudade. É um estado latente de "ter tudo" ao mesmo tempo, nada.
O amor é luz. Ele é a fé mais linda, que se possa ter.
O amor é essência.
O amor é a saudade, no seu estado de latência.
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