Escritas

Tempestade

conta_gia


Às vezes não há espaço pra gritos,
Não me envolvo em versos bonitos.
Se te trago a verdade dura
Não fujas dela, da miséria pura.

Contam-se como carneiros
Os q’ouvem histórias de viveiros.
Mas mais raros são os que escutam
As lutas feias daqueles que as lutam.

Felicidade é coisa q’agrada o serão
Falemos de guerra, veremos se ficam ou se vão
Embora como quem foge da morte
Têm medo que lhes contagie esta sorte
De quem por ela passa todos os dias
Encara-a, de frente, sem fazer magias.

Como pode quem a vê explicar
Que começa num ato simples como amar
E acaba no maior dos turbilhões
Arranca-me os telhados, olhos e corações.

Estes, de quem tem aqui passado,
De quem lhe toca e deixa o legado
Pega nele e rasga-lhe um bocado
Mostra-lhe amor e deixa-o abandonado.

Assim se fica na terra, pós-guerra
Sem nação, num escuro que encerra
Lá fora faz vento, esquece-me a idade
Cá dentro, o tormento, reina a tempestade.

   ~ Sara Filipa Quintaneiro dos Santos
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Comentários (2)

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conta_gia
conta_gia
2021-02-18 10:27

Muito obrigado, apenas ontem decidi publicar o que escrevo. O seu comentário fez-me sentir muito feliz por ter tomado esta decisão, um abraço.

tsunamidesaudade63
tsunamidesaudade63
2021-02-18 10:16

Muitos parabéns esta lindo o poema, bjo