EXALTEI-ME COM O VINHO

Exaltei-me com o vinho, revolvi o meu passado, chorei desconfortado, não tinha mais um ninho. Lembrei que os laços haviam sido rompidos, apenas a solidão amiga dos desamparados me acariciava em seus ombros. Vi-me meio aos escombros, eram tantos destroços frutos das guerras e lutas passadas que às vezes deixam remorsos. Esforcei-me para estar sóbrio e entender a loucura, porque uma alma diz-se em amor sem conhecer seu valor e a sua arquitetura, depois em choro uma dor e o que resta é rancor. Quem é fraco que caia, quem é forte me dê forças contra os lábios que me atraem. Exaltei-me com o vinho, seu veneno é desalinho em tentações que não se esvaem.

Erimar Lopes.
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