À mercê
Frederico de Castro

Fui no tempo pintando teus relevos no vento
Escrutinei os céus em busca dos beijos filtrados
Pelos silêncios ígneos, flamejantes e apaixonados
Deixei as memórias nutrirem unânimes afagos safados
Outros segredos ficaram ali amarrotados…tão cortejados
Onde extasiados concebíamos sedutores desejos corroborados
Domesticamos as esperas, despimos as saudades e até
Ressuscitámos o silêncio onde com caricias exprimimos
Actos consentidos de amor tão ousados e avassaladores
Em cada adocicado poente pintalgámos os sonhos mais
Amadurecidos , tão enfurecidos, que os ecos em euforia
Embebedavam a derme das nossas emoções entorpecidas
À tua mercê as palavras são tatuadas e esculpidas
Com uma elegância inconfundível, quase imarcescível
Para gáudio de cada sorriso empanturrado e imperceptível
Em plena simetria a manhã gelada e fria hiberna num
Intenso calafrio tiritando entre cada hora inerte e imiscível
Quase indivisível e indigente, a solidão expõe-se nua e dispersível
Frederico de Castro
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