Escritas

SOMBRAS NA NOITE E VULTOS NA ESCURIDÃO

ERIMAR LOPES
Tem um quê de mistério, sombras na noite, vultos na escuridão, já não tem mais remédio, o medo é tanto, derrete-se o coração. Quem não tem medo de assombração? Em frente a um cemitério empina seu alazão, o bicho não vai para frente, fica na mente somente uma questão: O que há de errado? Você não é cavalo alado e não pode sair do chão, passo aqui todos os dias, não vejo qual a razão. Chama na espora, a taca colabora, mas o bicho esbaforido na indecisão. Sombras na noite e vultos na escuridão, os olhos do homem não veem, mas o cavalo tem a visão. O castigo é tanto que joga o ginete no chão, volta em disparada, dando bufadas por tanta pressão. Sombras na noite e vultos na escuridão, um arrepio na espinha em um ginete na mão, à porta do cemitério mais uma reflexão, a cachaça tá boa, põe mais uma garrafa no balcão, quem bebe comigo? Perdi o meu alazão, estou precisando de abrigo. Não se preocupe amigo aqui não falta caixão, muito menos jazigo. Depois desta garrafa certamente descerá comigo. Sombras na noite e vultos na escuridão, o que o cavalo viu, seu ginete sentiu e com a morte partiu na alucinação.
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Comentários (2)

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ramire
ramire
2021-01-30

Muitíssimo obrigado por ter gostado meu amigo!

jrunder
jrunder
2021-01-30

Muito bom. Gostei.