Depois do entardecer
Frederico de Castro

Depois do entardecer a vida indefesa e expectante
Degusta o miolo desta solidão imensa e sobrepujante
Até as palavras dissimuladas consomem uma hora irradiante
Depois do entardecer o tempo desvairado iça as velas da
Esperança contígua arrebatadora e extraordinariamente vibrante
A estirpe desta fé é reconciliadora e absurdamente refrescante
Depois do entardecer a noite cairá bêbeda de paixão
Desnudará uivos e sussurros apaixonados e replicantes
Acolherá tantas monstruosas carícias sempre reconfortantes
Frederico de Castro
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