O que me apetece



O que me apetece é estar ali sentado sossegadinho
Deixar as palavras meus versos velar um eco danadinho
Decifrar cada hora que fenece num segundo tão miudinho

O que me apetece respondem as memórias em surdina
Alimenta-se com benzodiazepina uma gargalhada repentina
Descortina-se a loucura onde se fecunda uma rima concubina

O que me apetece resvala pelo tempo cruel farsante e profanado
É anfitrião de cada lamento astuto, imperceptível mas arrojado
É adrenalina daquele silêncio pérfido, indigente e marginalizado

Frederico de Castro
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