Escritas

QUEM?

Emma Bébinn
Se eu morresse hoje, quem escreveria amanhã?
Qual mão lhe passaria no rosto para acalmar, quem de MPB seria fã?
Ficaria o motorista do ônibus sem um bom dia, que dia seria esse dia? Que dia?
Qual voz masculina lhe chamaria de irmã ou de tardinha compraria o pão, quem seria a mais velha ou brigaria pelo qual filme assistir?
Se eu morresse hoje quem ouviria meus gritos de euforia ou descontentamento?
Quem lhe chamaria de best para juntas dominarem o mundo?
Se hoje eu morresse quem mais seria confusa ou tiraria o queijo mussarela do prato do café da manhã?
Quem ouviria Legião Urbana no volume máximo?
Quem chamaria você de chata ou leria aqueles gibis da estante da sala?
Minha carteira na escola ficaria vazia, o doce de goiaba enfim renderia e enfim eu não teria mais diabetes.
Hoje não! Talvez outro dia. Pois hoje falarei pra minha amada o quanto a amo, só por ela não me deixar e me fazer feliz.
Mas se amanhã eu morrer, escritora não serei, legista ou fotógrafa não me tornarei e não mais contrariaria as nossas inúteis leis.
Ah, se um dia eu morrer culpada serei, pois ninguém mais assaria os hamburguers com a senhora na cozinha... só meu irmão lhe ajudaria e ninguém criticaria as estórias que inventam nas redes sociais.
Quem você chamaria de idiota ou assistiria filmes legendados o dia todo pelo notebook?
Quem de toalha cantaria e bagunçaria o cabelo na frente do espelho se acabando de rir?
A senhora não sairia do hospital, minha avó passaria mal ao lembrar do meu quarto bagunçado.
Se um dia eu morrer espero que a sociedade compreenda que por mais forte é esse poema... Sempre será imperecível.
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