Escritas

O CANTO DO SEREIO

Fayola Caucaia
O canto do sereio me pegou  
O sereio não é tritão, essa palavra não se encaixa no que foi 
Ou não foi 
 
Caí no canto do sereio, não pude evitar 
Seu som ecoava em todos os cantos 
Seu canto era lindo, apaixonante  
Seu sotaque derretia, não pude evitar 
 
O canto do sereio me pegou 
Como criptonita, me deixava sem jeito 
Não sabia o que falar, mas sabia que queria seu canto 
Em todos os cantos, e na minha morada 
 
Na floresta que era vila,  
Na vila que era floresta, foi lá que eu ouvi o sereio 
Ele saiu do mar, criou pernas e migrou pra floresta 
Na floresta que o canto me deixou sem jeito 
 
Num súpeto, súbito som  
Quase a morte de todos sentimentos antigos 
O som do sereio me fez abandonar todos os amores e desamores  
Esses que não existiam mais 
 
O canto do sereio foi forte 
Pegou de jeito, e eu caí no mar 
Não tive espelho pra lutar contra o canto 
Tive apenas um papel e caneta, mas não era pra lutar 
Era pra falar que o canto me pegou 
 
O canto do sereio hipnotizava 
Nem por querer, era por ser 
Não só o canto, seu sorriso, seu jeito 
Via doçura em tudo, nos três elementos 
 
O canto do sereio era forte 
Não soube lidar, seu som era lindo 
Deixei de ser maruja, pois não sabia nadar 
Me afoguei em seu canto, no súbito normal 
 
O canto do sereio se foi 
Como a carta ao vento  
Como a flor no mar  
O canto do sereio afogou, num súbito normal
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