(sem titulo)

a noite acomoda-se na mansidão…
apenas lhe dá corpo um frio agreste.
e eu, amortalhado na sua escuridão,
penso em ti… 
sob o lúgubre velar de um cipreste.

indiferente ao que no meu coração se sente,
o mundo,
vai-se alimentando dos nocturnos e ténues ruídos
que o anunciam cheio de vida...
mas há em mim, algo que presente,
que tudo são ferozes rugidos
antes de os silêncios
emprenharem a minha alma perdida. 

e um límpido céu, pontilhado de estrelas,
fazendo jus à beleza da cósmica imensidão;
esmaga-me, 
na luminosidade dessa miríade de velas… 
é então que somente sinto, 
o que foi um gentil toque da tua mão… 
e o mundo, esse, mantém-se indiferente ao sentir do meu coração!

a noite, como um frágil paraíso aberto,
ao ver-me assim… vulnerável… 
de sonhos tão deserto…
manda-me seguir em frente,
que é mais que tempo, 
de dar fim ao que em mim há muito se sente.

obedeço e vou…
é tempo de deixar descansar o que na memória me ficou!



leal maria
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