Escritas

Onde a maré dormita

Frederico de Castro


Onde a maré dormita ouve-se o marulhar
Do silêncio ali reinante, ali tão divagante
Cada onda misericordiosamente saltita aliciante

Onde a maré implacavelmente navega o poente
ígneo e esdruxulamente inafundável banha as
Margens desta nobre e serena solidão vulnerável

Onde a maré dormita a esperança plena de cumplicidade
Renasce manuscrita em palavras prenhes e caprichosas
A maresia abençoada clama ávida de rimas amistosas

Onde a maré dormita a noite pousará uivando ardilosa
Nas margens da escuridão uma brisa sucumbirá tão preguiçosa
A memória assediada inebria até uma caricia mais meticulosa

Frederico de Castro
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