Sou quem talvez eu for

Futuro do pretérito
vista pelos olhos sentados na calçada
centavos de uma vida à escondida
Morte e Vida Severina, retirante.

Sorte truncada dias antes
revés de amante e sentinela
que é livre, embora cela
de vida próxima e distante.

Um cigarro solto e raro
provérbio que de mim faço sorteio
farto de si e de mim carente
talvez alegre, nunca somente.

Todo o itinerário
de viagem sem partida.

Foto sem dedicatória, antiga
cartão postal de terra à vista
casta meretriz de um libertino
que me deixa só, gemido vivo.

Nada disso sou e tudo
vida descida de um muro
erguido quando desmorona construção
sou seu e não o meu irmão.

Sou quem talvez eu for
sem jamais ter sido
morte de um domingo
quando não é sol, manhã


 
 
 
 
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