Escritas

Poema em burocrata senda

AurelioAquino



os birôs
de militar postura 
escondem dentro de si 
mortes e amarguras
e dizem-se urgentes
ao explodir a prática
num coito desinformado 
entre o homem e a máquina

o documento
tem uma face lógica
suores subentendidos 
risos datilográficos
em cada ângulo de si 
traz sempre a serenidade 
de um efêmero processo 
de negação da vontade 

o funcionário
cidadão consentido 
inventa no dorso das letras 
um pretenso objetivo
de concluir contra o próximo 
qualquer viés proibido
nessa oficial caminhada
de consumir seus sentidos

o funcionário e o birô 
pastam letras e matemáticas 
e se dados à razão
suicidam-se na prática
pois um birô requer
como arquivo latente
a vontade do funcionário 
presa num documento 
e formada a fração 
nessa proporção burocrata 
o funcionário torna-se birô 
de estranha matemática 
pois em não sendo mobília 
é humano em lapso 
rasura ensimesmada
destempero datilográfico.
 

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