CAUDA DE DRAGÃO

Ontem, subindo o morro
um dragão com cauda longa
percorreu todas as milhas
de uma vida
solitária*
(*ser habitante das profundezas mais sujas e humana)

Cuspiu gelo e brilhantina
Catou sonhos de menina
Rodopiou, feito bailarina
Voou, para ninguém nunca mais achar

Ontem, subindo o morro
um palhaço
de tão bobo
se fez cansado
de uma vida
tão borbulhante
de suor

Viu dragão, diu duende, bailarina
e chorou pela filha
que não teve, mas amou
Foste pai, avô e neto
guardião deste deserto,
da menina,
bailarina
aprisionaste
entregaste
numa cauda de dragão


2002
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