Ode florestal
da mata
não concluo
um indivíduo planta
absurdo
madeira
que nem esteja
para cobrir um vão que seja
o cedro
desacata
o quê de pusilânime
na mata
e lavra o verde
do seu colo
com a concisão
desse seu ódio.
o baobá
nem se merece
das larguras que não traz
porque se esquece
que basta no seu peito
um quê definitivo
e as maçãs que nunca deu
tão dividido.
pau d’arco
já se mostre
na franja da manhã
em que explode
roxo lençol
da ventania
na luta dessas pedras
contra o dia.
cerejeira
tão incerta
em ser madeira
que se apresta
a moldar-se em mãos
de outras terras.
cipó
nem se desculpe
por ser mais vário que a terra
que ocupe
pois se perde dos caminhos
com a mesma compostura
de quem traz o destino
esculpido em sua culpa
cacto
sabe a cordilheira
apontando seu grito
como bandeira
e se não é árvore
antes se acha
sangrando o peito do vento
e sua mata.
pinheiro
é grande continência
resumo de si mesmo
em urgência
e escava o dia
sem intimidade
porque melhor
seria ser a tarde.
vento
já se basta
em ser espada sem gume
dessa mata
e corta a si mesmo
engolindo a madrugada
num gesto de tão conforto
da paisagem
folha
apesar de pouca
é uma concisa floresta
que se culpa
pois tem a compleição
de estandarte coletivo
do batalhão dessas árvores
em desabrigo
a mata
mesmo que não queira
é um quê definitivo
da saga brasileira.
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