ode desenfreada de amor ao povo
AurelioAquino
coletiva a mente
constata a exatidão
de que não há por povo
o que se queira não
todo povo é resultado
de uma razão diferente
que não se encontra nos genes
nem nos corpos das gentes
mas transita quase sempre
na simples compleição
do espaço pouco amestrado
das fibras do coração
porque senti-lo no peito
é quase rebelião
por compreendê-lo a jeito
de cada revolução
que se amanha nos gestos
palavras do coração
e nem importa que o ritmo
de suas mágoas viceje
como uma flauta invertida
em música que nunca teve
a não ser o som avaro
de sua tanta alegria
que ri do peso das horas
e das curvas da agonia
povo se sabe a povo
em cada um comprimido
e mesmo que seja uno
é um pequeno infinito
que a duras penas se vive
com a força de um grito
povo grita no sangue
como uma mansa corredeira
que sobe o caminho das horas
inventando um tempo à meias
e que deságua de repente
como uma nave inconseqüente
na imensidão das estrelas
povo grita na carne
como uma onda guerrilheira
que emboscasse no peito
a razão porque se queira
navegar nos mares tantos
de todas as suas veias
povo sabe a suor
derramado impunemente
nas maravilhas do ofício
de se saber tão urgente
coisa de um quê construído
pelos andaimes da gente
povo sabe a alegria
um riso desordenado
que começa pelos olhos
e se espalha pela face
é como sentir a ilusão
de estar encantado
povo é tudo que a gente
por mais que não se diga
guarda no gesto inteiro
traz no bolso da camisa
escondido pelo peito
como bandeira da vida
povo sabe a intimidade
coisa de não se sentir baldio
nos metros de solidão
que se costura a fio
cosendo as coisas da vida
nesse imenso navio
que trafega em mares não ditos
como um grande desafio
povo sabe a usina
de construir novos tempos
e de viver pelas horas
consumindo o momento
como uma grande bolandeira
dos destinos da gente
povo enfim é tanto
que nem se diga a razão
de não ser por muito pouco
todo nosso coração
trançado à força da hora
que não se vive em vão.
constata a exatidão
de que não há por povo
o que se queira não
todo povo é resultado
de uma razão diferente
que não se encontra nos genes
nem nos corpos das gentes
mas transita quase sempre
na simples compleição
do espaço pouco amestrado
das fibras do coração
porque senti-lo no peito
é quase rebelião
por compreendê-lo a jeito
de cada revolução
que se amanha nos gestos
palavras do coração
e nem importa que o ritmo
de suas mágoas viceje
como uma flauta invertida
em música que nunca teve
a não ser o som avaro
de sua tanta alegria
que ri do peso das horas
e das curvas da agonia
povo se sabe a povo
em cada um comprimido
e mesmo que seja uno
é um pequeno infinito
que a duras penas se vive
com a força de um grito
povo grita no sangue
como uma mansa corredeira
que sobe o caminho das horas
inventando um tempo à meias
e que deságua de repente
como uma nave inconseqüente
na imensidão das estrelas
povo grita na carne
como uma onda guerrilheira
que emboscasse no peito
a razão porque se queira
navegar nos mares tantos
de todas as suas veias
povo sabe a suor
derramado impunemente
nas maravilhas do ofício
de se saber tão urgente
coisa de um quê construído
pelos andaimes da gente
povo sabe a alegria
um riso desordenado
que começa pelos olhos
e se espalha pela face
é como sentir a ilusão
de estar encantado
povo é tudo que a gente
por mais que não se diga
guarda no gesto inteiro
traz no bolso da camisa
escondido pelo peito
como bandeira da vida
povo sabe a intimidade
coisa de não se sentir baldio
nos metros de solidão
que se costura a fio
cosendo as coisas da vida
nesse imenso navio
que trafega em mares não ditos
como um grande desafio
povo sabe a usina
de construir novos tempos
e de viver pelas horas
consumindo o momento
como uma grande bolandeira
dos destinos da gente
povo enfim é tanto
que nem se diga a razão
de não ser por muito pouco
todo nosso coração
trançado à força da hora
que não se vive em vão.
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