Ode aos 54
AurelioAquino
aos 54
nada me convoca
a não me sentir ausente
da discórdia
fluo impunemente
pelos vincos da idade
como um barco que ousasse
todos os mares.
aos 54
permito-me a simplicidade
de militar na vida
com certa intimidade
nada que não seja nunca
e que só seja sempre
quando tarde.
aos 54
desaviso-me das vaidades
ainda que me seja franca
a inexatidão da verdade
e que navegue pelo peito
a imensidão e a filosofia
de todas as vontades.
aos 54
meço as minha réguas
com a tranqüilidade
de quem sabe
todos as léguas
em que se cabe.
aos 54
transijo com a vida
ainda que não a compreenda
como liça
mas como um grande acordo
que a natureza fez consigo
aos 54
palavras são um rito
a não ser que o verbo
seja pouco e tão restrito
que nem o grito sobre
nos ombros dos sentidos
nada me convoca
a não me sentir ausente
da discórdia
fluo impunemente
pelos vincos da idade
como um barco que ousasse
todos os mares.
aos 54
permito-me a simplicidade
de militar na vida
com certa intimidade
nada que não seja nunca
e que só seja sempre
quando tarde.
aos 54
desaviso-me das vaidades
ainda que me seja franca
a inexatidão da verdade
e que navegue pelo peito
a imensidão e a filosofia
de todas as vontades.
aos 54
meço as minha réguas
com a tranqüilidade
de quem sabe
todos as léguas
em que se cabe.
aos 54
transijo com a vida
ainda que não a compreenda
como liça
mas como um grande acordo
que a natureza fez consigo
aos 54
palavras são um rito
a não ser que o verbo
seja pouco e tão restrito
que nem o grito sobre
nos ombros dos sentidos
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