do mister da vida
AurelioAquino
diz que era preciso
tecer um dia fecundo
e boiar frequente em cada abraço
e entranhar-se nas coisas
e perder-se no mundo
diz que era preciso
truncar cada soluço
e beber os sais e as lágrimas
e espantar da face cada susto
diz que era preciso
engravidar a noite
e parir-se de lua
e beber os beijos que pulam
perdidos em cada rua
diz que era preciso
amanhar o corpo
e trançar no peito a saudade
e engolir no vão dos sentimentos
a textura bruta da vontade
diz que era preciso
empalmar o horizonte
com a nesga infinita
do olhar da tarde
diz que era preciso
consumir o dia
e dividir a boca
da largura da alegria
diz que era preciso
enfunar a vela dos cabelos
e partir-se do mar
e fugir-se do mêdo
diz que era preciso
amansar a incoerência
e afagar a vida
com a solicitude exata
com que se constrói a consciência
diz que era preciso
empregar o mundo
na placidez inconstante
dos sentidos
diz que era preciso
consumir o sonho
com a sofreguidão e a tática
dos grandes oceanos
diz que era preciso
nutrir-se do verso
e se achar palavra
e se nutrir do verbo
diz que era preciso
rasgar-se o peito
nos arames humanos
da grande incompreensão
diz que era preciso
amar-se o irmão
com a força do abraço
e o jeito do coração
diz que era preciso
suportar os fardos
e engolir as culpas
e inventar pecados
diz que era preciso
batalhar o pão
e compartir a fome
e fartar-se de não;
diz que era preciso
conclamar o povo
e fundir-se na praça
e fazer-se novo;
diz que era preciso, enfim
julgar o carrossel da vida
com a exatidão da anatomia
de quem se joga no mundo
com a força da alegria.
tecer um dia fecundo
e boiar frequente em cada abraço
e entranhar-se nas coisas
e perder-se no mundo
diz que era preciso
truncar cada soluço
e beber os sais e as lágrimas
e espantar da face cada susto
diz que era preciso
engravidar a noite
e parir-se de lua
e beber os beijos que pulam
perdidos em cada rua
diz que era preciso
amanhar o corpo
e trançar no peito a saudade
e engolir no vão dos sentimentos
a textura bruta da vontade
diz que era preciso
empalmar o horizonte
com a nesga infinita
do olhar da tarde
diz que era preciso
consumir o dia
e dividir a boca
da largura da alegria
diz que era preciso
enfunar a vela dos cabelos
e partir-se do mar
e fugir-se do mêdo
diz que era preciso
amansar a incoerência
e afagar a vida
com a solicitude exata
com que se constrói a consciência
diz que era preciso
empregar o mundo
na placidez inconstante
dos sentidos
diz que era preciso
consumir o sonho
com a sofreguidão e a tática
dos grandes oceanos
diz que era preciso
nutrir-se do verso
e se achar palavra
e se nutrir do verbo
diz que era preciso
rasgar-se o peito
nos arames humanos
da grande incompreensão
diz que era preciso
amar-se o irmão
com a força do abraço
e o jeito do coração
diz que era preciso
suportar os fardos
e engolir as culpas
e inventar pecados
diz que era preciso
batalhar o pão
e compartir a fome
e fartar-se de não;
diz que era preciso
conclamar o povo
e fundir-se na praça
e fazer-se novo;
diz que era preciso, enfim
julgar o carrossel da vida
com a exatidão da anatomia
de quem se joga no mundo
com a força da alegria.
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