discurso da morte
AurelioAquino
o morto
navega quase impunemente
na balsa dos olhos
de quem sente
e trai um tempo
com jeito de arma
molhados passos e prantos
que se amontoam na alma
a carne
de dureza tanta
rasga o vão da vida
como uma lâmina
as mãos
dormem lânguidas
como pássaros inúteis
e sem dramas
o morto navega
ainda impunemente
a balsa do seu corpo
nos olhos dos presentes
rasga objetivo
a íris mais urgente
num rio de saudade
que se comprime nos dentes
sem vau
o morto bóia
os quilos de passado
nos ombros da memória
e do transeunte
portador da vida
salta um cheiro de dó
informalmente reprimido
a morte sempre esquece
de esquecer a vida
navega quase impunemente
na balsa dos olhos
de quem sente
e trai um tempo
com jeito de arma
molhados passos e prantos
que se amontoam na alma
a carne
de dureza tanta
rasga o vão da vida
como uma lâmina
as mãos
dormem lânguidas
como pássaros inúteis
e sem dramas
o morto navega
ainda impunemente
a balsa do seu corpo
nos olhos dos presentes
rasga objetivo
a íris mais urgente
num rio de saudade
que se comprime nos dentes
sem vau
o morto bóia
os quilos de passado
nos ombros da memória
e do transeunte
portador da vida
salta um cheiro de dó
informalmente reprimido
a morte sempre esquece
de esquecer a vida
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