Coplas desconformes ao redor da vida
AurelioAquino
no primeiro ato
expulso-me
gelatinoso e um
e quase a pulso
no primeiro ato
não me pertenço
pois sou um eu tão grande
que me esqueço
no primeiro ato
trago o mundo
na ponta dos dedos
e a não compreensão
de vãos segredos
no primeiro ato
não estou sendo
como seria se fosse
já sofrendo
no primeiro ato
divirjo das borboletas
não me tenho em asas
mas em medos
no primeiro ato
lavro meu grito
na certidão única
do que sinto
no primeiro ato
não me caibo
como invólucro pertinaz
do que me acham
no primeiro ato
convoco-me ao mundo
com a percepção incauta
de que só me iludo
no primeiro ato
estou em tudo
embora nada ainda me diga
com outro
no primeiro ato
despeço-me avulso
da química eficaz
dos úteros
no primeiro ato
não me minto
verdade que nem seja tanta
e que nem pressinto
no primeiro ato
não me vivo
apenas me lanço
ao simples infinito
no primeiro ato
ainda nem caço
o tamanho exato
dos meus passos
no primeiro ato
reservo-me e espero
o direito de ser quase
o que não quero
no primeiro ato
posso o que não devo
e devo não poder
o que mereço
no primeiro ato
nem me meço
minha placenta
ainda é o universo
no primeiro ato
minha carne
é já notícia
de que ardo
no primeiro ato
sobro da mãe
como um susto
em que não caibo
no primeiro ato
minha mãe é tarde
noite que já nem pressinto
na manhã que há de
no primeiro ato
não tenho palavras
mas uma rápida ilusão
de que me agrado
no primeiro ato
finda a dessemelhança
do que ainda é pouco
nos ombros da esperança
no primeiro ato
não me canso
de atravessar o vau
dos rios que alcanço
no primeiro ato
estou íntimo e farto
ainda último em mim
e quase perdulário
no primeiro ato
não me importa
a palidez do mundo
e as cores da revolta
no primeiro ato
estou concluso
remetidos os meus autos
aos despachos do mundo
no primeiro ato
nasço
com a quase alegria
de que ardo
no primeiro ato
desconvoco-me da idade
sou o início e o fim
do que me invade
expulso-me
gelatinoso e um
e quase a pulso
no primeiro ato
não me pertenço
pois sou um eu tão grande
que me esqueço
no primeiro ato
trago o mundo
na ponta dos dedos
e a não compreensão
de vãos segredos
no primeiro ato
não estou sendo
como seria se fosse
já sofrendo
no primeiro ato
divirjo das borboletas
não me tenho em asas
mas em medos
no primeiro ato
lavro meu grito
na certidão única
do que sinto
no primeiro ato
não me caibo
como invólucro pertinaz
do que me acham
no primeiro ato
convoco-me ao mundo
com a percepção incauta
de que só me iludo
no primeiro ato
estou em tudo
embora nada ainda me diga
com outro
no primeiro ato
despeço-me avulso
da química eficaz
dos úteros
no primeiro ato
não me minto
verdade que nem seja tanta
e que nem pressinto
no primeiro ato
não me vivo
apenas me lanço
ao simples infinito
no primeiro ato
ainda nem caço
o tamanho exato
dos meus passos
no primeiro ato
reservo-me e espero
o direito de ser quase
o que não quero
no primeiro ato
posso o que não devo
e devo não poder
o que mereço
no primeiro ato
nem me meço
minha placenta
ainda é o universo
no primeiro ato
minha carne
é já notícia
de que ardo
no primeiro ato
sobro da mãe
como um susto
em que não caibo
no primeiro ato
minha mãe é tarde
noite que já nem pressinto
na manhã que há de
no primeiro ato
não tenho palavras
mas uma rápida ilusão
de que me agrado
no primeiro ato
finda a dessemelhança
do que ainda é pouco
nos ombros da esperança
no primeiro ato
não me canso
de atravessar o vau
dos rios que alcanço
no primeiro ato
estou íntimo e farto
ainda último em mim
e quase perdulário
no primeiro ato
não me importa
a palidez do mundo
e as cores da revolta
no primeiro ato
estou concluso
remetidos os meus autos
aos despachos do mundo
no primeiro ato
nasço
com a quase alegria
de que ardo
no primeiro ato
desconvoco-me da idade
sou o início e o fim
do que me invade
Português
English
Español