Escritas

Balada ao menino da Etiópia

AurelioAquino
assim como um soluço cárneo
de textura tão substantiva
medes o pranto pelo teu crânio
do tamanho de toda tua vida
 tens na palavra um verbo intransferível
e a solução mais lógica do corpo
é entornar os palmos de tristeza
na cachoeira dos sentidos
 trazes nos olhos
maravilhas mortiças
aposentados quase da vida
que não veem, apenas fingem
 fogem do corpo
poses dilaceradas
um negativo absoluto
dos que te guardam na alma
 
teu valor de uso
é um tanto inadequado
antes te fizeram gente
hoje te consentem gado
 
tua cabeça pesa um tanto
dessa fome que esquadrinha o corpo
e que te tem quase em condição
de te aprovarem morto
 
mas por sobre tua fronte
apontado no teu sonho
há um desconforto enorme
e almas sem tamanho.
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