Escritas

Paisagem

AurelioAquino
A estrela
pousada no ombro da tarde
tinha a mesma textura do tempo
descontrolada em vão na sua idade
e tanto mais brilhasse
era mais singela
afagando o dorso do navio insone
que escrevia horizontes
na arcada geral da minha fome
 
e porque fosse tanta
era assim tão limitada
que cabia inteira no meu olho
e me perdia pela alma
 
era estrela
envolvida com o infinito
com a mesma desfaçatez
e a restrição de um grito
 
e eu queria a estrela
para joga-la no bolso
e toca-la, distraidamente,
nas tardes do meu desconforto.
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