Selvagem

Valter Bitencourt Júnior
Valter Bitencourt Júnior
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Suas pernas a serpentear
Minhas pernas num só laço,
Seu ser na flor da pele
A sensibilizar-me
Ao som da quimera.
Seus cabelos feito cachoeiras
A transbordar em minha face,
Nossos lábios a degustar-se,
Meu paladar no seu paladar.
Mãos sem controle, ais e desejos,
Nossos olhos penetrando
Um no outro, em forma
De diálogo, e dialogávamos
Por telepatia,
Seu gemido em meu gemido - poesia
Seu gozo em meu gozo - vida
E tudo que germina
Floresce, quando ainda
Resta amor, e nos amamos,
Apaixonadamente,
A noite fala, e nós
Seguimos o nosso instante.

Valter Bitencourt Júnior
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