A Rua (Crônica Poética)


 
      Caminhando pela estrada, passo atrás de passo, olhando para o céu, de cor azul turquesa, onde voam os passarinhos. O menino passa correndo, chutando a bola para o seu amigo, que não chutou de volta, era um amigo imaginário, daqueles tão surreais, que a gente até acredita que são de verdade.
        É verão, o Sol brilha esplendoroso, refletindo nas poças de água, da tempestada que ocorrera ontem. O garoto pulava na água, as gotas saltavam alegres, cintilando sobre a luz da felicidade, que preenchera aquela rua, a rua das crianças, a rua dos adultos, a rua dos idosos, a rua onde os sonhos se misturam com a realidade.
        Tudo escureceu, as janelas se fecharam, os moradores logo entraram, as cores do mundo se ofuscaram, o ar ficou denso, o céu anoiteceu, o menino estremeceu. O silêncio predomina, a chuva começam a cair, como lágrimas de desespero. O garoto implora por socorro, milhares de vozes mudas, vozes que gritam por ajuda, vozes que buscam salvação, almas desesperadas, que não suportam a solidão.
        O guarda-chuva aberto, a mulher caminha, transpassando a tristeza e a angústia da rua, a rua que já foi feliz, a rua que já foi alegre. Os braços abertos, o garoto em seu colo, a bola em baixo do braço, a mãe acalma o filho, que agora está seguro. Eles vão embora, saem desse palco, cenário do tormento. A esperança foi o que restou, a esperança de que amanhã, no próximo passeio pela rua, a felicidade volte a aparecer.

Lucas Bisoni
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