Escritas

O tempo e o rio

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

O rio assemelha-se ao tempo
as vezes corre lento
as vezes apressado
Em seu natural correr
desenha o próprio traçado
As vezes sobe 
As vezes desce
As vezes enche até vazar
As vezes escasseia
Faz correnteza
derruba barreiras
estagna
Corre em várias direções 
e abraça o mar
em seu desaguar 

E o tempo? 
Qual é o seu movimento?
As vezes é absoluto
As vezes é relativo
As vezes acelera
Segue e altera seu ritmo
no eterno acontecer 

O tempo também descansa 
para se reinventar
ou se afoba 
e volta a acelerar
Tempo de saudades
dos que se encantaram
Tempo do amor
do nascer
do encontrar-se
de casar
e  de se reinventar! 

E ainda que  o tempo seja dono de si
fala-se em "dar tempo ao tempo",
em busca de um crédito 
para amadurecer
ou de se superar
para esquecer ou
para lembrar
para criar, procriar e amar
(....)

O tempo é contínuo e descontínuo
O tempo implica em devir, vir e no que se foi.

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