Escritas

Elegia

Nilza_Azzi

Canto I
Essa que chora ante o caixĂŁo aberto,
Por quem dizias ter amor, eu sei,
Sofre por ti, um pouco, mas decerto
Seu coração lavrou a própria lei,
Na solidĂŁo sem tempo do deserto,
Sem abrir mĂŁo da liberdade ao rei.
– Sob esse vĂ©u que cobre a tal tristeza,
Resiste a alma lĂ­mpida e coesa.

Canto II
Bem vĂȘs agora que escapou inteira
Da servidĂŁo que lhe quiseste impor
E na conversa muda e derradeira,
Em teu respeito, um mĂ­nimo de dor
Expressa agora, Ă  sua maneira,
Ainda presa ao sĂșbito estupor.
– E nessa lágrima tímida que verte,
Reverencia o teu corpo inerte.

Canto III
Caminha sempre adiante com firmeza,
Embora saiba dar um passo atrĂĄs,
Para ajustar-se Ă s leis da natureza
E avançar de forma mais vivaz...
Mantém, consigo, a esperança acesa,
E nĂŁo espera pelos outros, mais...
– A vida Ă© roda e pelo tempo gira;
O que Ă© verdade, nunca foi mentira.

Nilza Azzi 

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