Deem-me a vossa loucura

Deem-me a vossa loucura
Pois estou sedento dela.
Sedento, como os Deuses estão
Das nossas desgraças.
Estes que nos perscrutam 
No cume da nossa consciência.
Sempre tão caricatos, 
Manejando-nos como fantoches. 

Ai! Estou ébrio da vossa loucura!
Como não? Para ser mais e melhor
O que resta ao humano senão ser louco.
Sinto ao tocar nesse cálice impuro 
Como se a existência ganhasse cor  
E me cercasse dos Deuses, 
Estando eu tão longe. 

Gotículas de sangue trespassam a pele 
E padecem junto aos murmúrios de outrora.
Bebo vagarosamente o líquido ébrio desse cálice, 
E sinto passar essa linha entre a vida e a morte.
Não que a morte se encontre ao virar da esquina, 
Mas sim que atinjo o apogeu da vida 
E o mais que se segue é a morte.

Deem-me a vossa loucura
Que eu bebo-a de um trago,
Porque que caminho há a seguir, 
Senão os trilhos dos Deuses,
Estes que habitam a nossa consciência
E que portadores são das maiores loucuras. 

Eu sigo os loucos
Quer sejam homens ou não-homens,
Quer sejam Deuses ou não-Deuses.
Eu sigo-os porque eles convivem na minha consciência 
E não há maneira de não beber a sua loucura.
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