O fenômeno da linguagem
A linguagem é sem dúvida a mais nobre e extraordinária ferramenta concedida ao homem no ato de sua criação. A nenhuma outra criatura do mundo foi permitido o dom da expressão verbal bem como outros meios de comunicação que dela advêm. Ela é o selo da divindade que faz do homem um ser por excelência, diferente de todas as demais criaturas. A linguagem e a razão juntas no ser humano são atributos que por si mesmo revelam a singularidade da sua potência no cosmos. Sem ela não seriamos seres transcendentes cheios do hálito da vida, compartilhando o poder de transformar, moldar e dar sentido à existência num fluxo contínuo de interação com o mundo.
A linguagem realça e integra a assência do homem a si mesmo, à sociedade e à natureza, consolidando também o status de autoridade no exercício do livre arbítrio.
Como ser intrinsicamente social, o homem passa por sucessivas adaptações no processo de aquisição da linguagem, desde sua fecundação até a morte.
Os primeiros estágios da vida humana no ventre materno é a gênesis do fenômeno da comunicação, pois o ente gerado já inicia sua linguagem biológica de forma absolutamente fenomenal. É uma misteriosa e maravilhosa relação com a matriz geradora de sua existência.
Como alma inteligente, o feto demonstra instintiva capacidade de interação à união metafísica no ambiente uterino, reagindo assim aos múltiplos reflexos e impulsos afetivos de sua genitora.
Ao terminar seu tempo de gestação, o bebe como ente social, reage vigorosamente aos apelos de sua missão, saindo do seu ninho gestativo para voar rumo à liberdade. É a jornada do ser, do propósito, da vocação do homem enquanto pessoa do mundo, no mundo e para o mundo.
O infante recém nascido, surpreendentemente é desafiado as complexidades do mundo exterior à medida em que no palco dos sentidos novas percepções vão somando indefinidamente dentro das realidades do universo da linguagem.
A consciência da existência e a necessidade de interagir com os elementos ao seu redor, faz dele um discípulo na engrenagem da linguagem que aos poucos vai montando as peças de sua sociabilidade.
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