Hiato

Os portões do mundo sensível estão fechados.
Por vislumbres holográficos eu deduzo o começo do fim,
Os dias são embalados de samba triste, a saudade do toque e da liberdade de ser um colibri.

Quão infeliz é revigorar-se de doces melodias
E sob tentações de fuga o semáforo permanecer vermelho.
De passagem pro imaginário, as emoções pagam a viagem
Saídas daquele porta-retrato à caminho do paralelo.

Rosto não se vê, barulho não se escuta.
As esquinas continuam mudas,
Espíritos à noite se projetam para pular carnaval nas ruas.
O que existia, agora não existe mais
O tempo é uma mentira, a gravidade é uma capitã sagaz.

Por agora, até o mais sombrio passado me parece um berço de opulência.
O insano quixotesco; qualquer dor que o lembre que um dia viveu a vida é sinônimo de riqueza.
 
Permaneço no hiato à espera de dias melhores
Quando o semáforo abrir passagem.
E ter a bravura de desfrutar o amor e juventude
Nos tempos mais cruéis e selvagens.
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