Escritas

Sobre o Amor, Criaturas

Lucas Melges
Charles Bukoswki disse uma vez: "O Amor é como quando você vê a névoa de manhã, quando você acorda antes do sol nascer. É como um breve instante que depois desaparece. Apenas isso, o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade".

Achei isso genial, mas o que eu posso dizer sobre o amor?

O amor é a risada escandalosa. É a saudade do abraço caloroso ou do sexo de encaixe perfeito. Revira-se só na noite e a saudade é tudo que se tem além das cobertas. Sim, o amor poderia ser tudo isso, mas talvez estejamos falando de um modo superficial.

O amor são duas pessoas correndo na chuva por entre as ruas alagadas, e embora aqueles pares de sapatos encontrem seu destino no lixo, aquela tarde ficará guardada na memória enquanto a vida existir.

O amor é a conversa da qual você poderia ali morar, só alternando entre um abraço que você chamaria de lar. É o momento em que você toca o interfone da garota e então ela aparece na janela e seus olhos vagueiam a calçada em busca de alguém. Então seus olhos me localizam e ela sorri. E aquele sorriso, caro leitor, aquele sorriso é o amor.

Mas não acaba ai, haverá minutos entre ela sair da janela, sorridente e abrir o portão. Lances de escadas, talvez 16 degraus, e a cada passo, uma memória. A vida vai golpear a mente dela com seus traumas e bons momentos. Seus passos serão ouvidos ao longe, seu chinelo saiu. Pausa para ajeita-lo ao pé. Agora aquele grande sorriso pode ter se transformado em meio sorriso, mas se houver a vontade de ter este meio sorriso, então, isso é amor. O passado vai lançá-la à deriva enquanto caminha automaticamente até o rapaz. Mas vos digo criaturas, se houver ainda aquele meio sorriso, isso é amor.

Quando ela o envolver com os braços, naquele abraço que faz a vida valer a pena e seu cheiro invadir sua mente, e perceber aquele aroma perfumaria alguma possui, então eu direi, meus caros, que isso também é amor.

Não quer dizer que o amor seja só isso, nem dizer que somente o amor seja suficiente. Naqueles instantes em que ela descia os degraus e tudo mudaria, o amor não seria suficiente, mas se sorriu, ainda que com meio sorriso, aquilo era amor, e se tem amor, ainda que não suficiente, já era meio caminho andado.

De "Saideira".
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