O PIANO (VERSÃO NOVA)

Todos os dias Eugênia sentava ao pinano e ficava horas tocando, até sentir-se pronta para enfrentar mais um dia pela frente.
         Era uma moça muito bonita, sonhadora e desligada.Morava,como quase todo estudante, com uma amiga com quem dividia as despesas.

         Romeu era um ladrão profissional. Não tinha rotina fixa e sempre viveu grandes aventuras.

         Aquela tarde Regina, que morava com Eugênia, saiu mais cedo e foi namorar.
         Romeu, sem perder oportunidades, entrou na casa. Estava arrumando seu prêmio quando ouviu uma doce melodia barroca. Seria um anjo sentado ao piano? Era, sem dúvida, a visão mais linda que ele já tinha tido. Em silêncio, ficou ali, ouvindo a música escondido.
        Por mais de uma hora Eugênia tocou e por mais de uma hora Romeu esperou. Já não pretendia levar nada, só queria ouvir tudo de novo e se entregar aos sonhos mais secretos que ela despertou nele. Então, por fim, deu conta do tempo que havia ficado ali e se retirou, mergulhando na solidão da cidade grande.
       
        Os dias foram passando e Romeu não queria mais nada.Não comia, não dormia, não roubava, só ficava parado, olhando para o nada.
        Todo anoitecer ia para a casa de Eugênia e passava horas escondido, ouvindo a musa tocar.
        Ele a observava de longe. Sentia suas dores e alegrias. A conhecia bem, ou pelo menos achava que sim.

        Certa noite, ao chegar, encontrou Eugênia sentada com um estranho. ELes riam e pareciam íntimos. Romeu sentiu ciúme e virou-se para ir embora. Entretanto, um grito chamou sua atenção e, ao olhar por entre as cortinas, viu Eugênia sendo atacada pelo homem ao seu lado.
       Sem pensar, Romeu pulou a janela e defendeu sua amada agredindo o outro rapaz.
       Ao término da luta, o moço constrangido levantou-se com dificuldades e fugiu. Eugênia estava encolhida em um canto da sala. A menina, ainda assustada, voltou-se para Romeu e o ajudou a se levantar. Agradeceu e pediu para ficar sozinha.
      Sem perder a oportunidade, ele confessou o que sentia. Ao ouvi-lo, a garota, arrogante, disse que jamais ficaria com um "vagabundo" como ele que, precipitadamente, tinha acabado de surrar o filho do mais nobre político da cidade. Ela queria dinheiro.

      Romeu, desapontado, decidiu ser fiel a seus sentimentos. Foi roubar algo de grande valor para sua querida. Conseguiu uma coroa única de diamantes, exposta em uma galeria de artes. Assalto ousado que lhe rendeu um confronto com a polícia.
      Romeu foi baleado mas ainda não morreu. Correu até os braços de sua amada e entregou-lhe a joia.
      Quando viu sangue, Eugênia o empurrou para a rua e gritou o mais alto que podia. Porém, agarrou-lhe a coroa e a escondeu na sua sala. 
      Romeu morreu, ali na calçada.

      Policiais chegaran e um circo midiático foi montado à sua porta.
      "Moça, você está bem?"
      "Sim, obrigada. Esse homem tentou me assaltar. Ele chegou ferido, quase arrombou a porta, anunciou o assalto e morreu."
      "A senhora encontrou algum objeto com ele?"
      "Não"
      E ela saiu daquele tumulto com um olhar de terror que foi se desfazendo a cada passada.


ANO: 1993

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