Escritas

Cristaleira da Casa

vermouthgin
Menina dos olhos de mormaço
Alma esculpida em malícia bruta
Trancada na cristaleira da sala
Para os olhos atentos das visitas

Pura pelo desejo do pai
Sacra pelo da mãe
Profana malícia dos temporais
De todos os ventos Norte Sul
Que agitam seus ares
E tornam vulgares os trejeitos

Requisitada pelos herdeiros
Dos velhos tronos de madeira
Que são meninos de barba
Estancados em raso desejo

Se despertas arrepio
Se aguça os sentidos
É porque teus olhos são
Apenas toda a natureza