Desordem.

na espreita da próxima esquina
há sempre novos nomes para dar
à vida
meus olhos têm cor de nada e a maioria dos olhos têm cor
de algo mesmo
que sejam cinzas mesmo que sejam tristes
é essa minha secura - eu disse
atinge meus bolsos furados meu tênis azul
há sempre esse momento em que não quero
ter um nome não quero ter uma história
se é possível não ter uma história se é possível
não ser um fenômeno poético
como são todos os fenômenos que caminham na rua que compram cigarros que tropeçam de bêbados e vão à igreja
esse mesmo momento
às vezes
em que quero existir no mundo como existem os cães de rua &
entidades da desordem

quero ter esse nome: desordem


Iago Souza
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