Estádio Humano

Colho das palavras 
Som e ritmo.
Retiro do mar o seu aroma,
Ébrio do sabor dos Deuses.

Um raio de luz
Trespassa-me o coração, 
Que tantos sentimentos alberga. 
A Morte. A Vida. O nascimento.

O choro de uma criança ao nascer, 
O suspiro que antedesse a morte. 
O silêncio paternal do fim, 
Este segundo 
Em que nos padece a vida. 

Tive a bênção de sentir, 
A penugem 
Tão humanamente indescritível.

Olhemos o céu que nos cinge, 
Choremos. 
Rir-nos-emos um dia, 
Entre os dias cinzentos
E os problemas mundanos. 

Mergulhemos 
Nas superfícies escuras, 
Como mergulham os poetas. 
Entreguemo-nos a Érebo, 
E na melancólica escuridão, 
Seremos humanos. 

Não porque comemos, 
Nem tão pouco porque pensamos. 
Mas porque numa cálida noite,  
Enquanto os Deuses nos subjugavam,  
Houve quem creu, 
Quem amou 
E quem sofreu.  
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