Devaneio
Já é tarde da noite e as horas caem num sono profundo.
É noite.
Ninguém a rua, nem mesmo vira-latas perdidos.
A quietude quebrada pelo sussurro leve de uma brisa fresca.
Aqui e ali o rumorejar de um grilo, impaciente com a hora noturna.
Tudo escuro.
Tudo parado.
Tudo solidão.
Vou à janela de meu quarto,
respiro fundo e olho paro o céu.
Vejo as estrelas cintilantes e a luz da lua derrama-me sensações evanescentes.
Como é bela esta noite. Que noite bela!
Não preciso de mais nada. Há amor e compaixão no brilho do luar.
Há perdão e há conforto.
Não há mais preocupações a não ser a preocupação de não querer o fim disso.
Olhar para a lua brilhante é um deslumbramento e não há metafísica suficiente que explique isso.
Baixo meu olhos, volto a rua.
Vejo um bêbado sem rumo, errante em linha reta.
Cambaleia-se e tropeça. Escora-se nos muros e nas grades dos prédios.
Não para. Segue seu rumo, ainda que não saiba onde chegar.
Resmunga alguma coisa, pragueja contra algo, almadiçoa alguém, e depois canta.
Canta alguma canção que é o bastante para lhe alegrar a alma.
Volto a mim.
Retomo meus pensamentos.
Ah! Esta noite! Ah! Este céu estrelado!
Hoje as luzes piscam mais brilhantes e a presença da lua é mais presente.
Sinto a presença dela dentro do meu peito e agora eu sou a lua e as estrelas.
Sinto a vastidão infinita do espaço dentro de mim
E me pergunto o que é ser, o que é sentir e o que é viver num sentido universal, de estrelas e galáxias, e de pó cósmico.
Sou agora o pó cósmico dos astros distantes e intocáveis. Pó!
Sou o pó de agora, o pó que fui ontem e o pó que serei amanhã.
O bêbado está mais longe...
Sua canção mais e mais longe. Não se ouve mais nada...
Um sacolejar nas folhas das árvores, um gorjeio distante e perdido de algum pássaro, que ressoa dentro de mim.
Esse som indistinto e vago irrompe no meu coração como uma pedra jogada num lago.
As oscilações tem para mim o mesmo efeito de se estar bêbado.
Estou embriagado da janela do meu quarto, numa noite escura e quieta.
E acima de mim só os astros cintilantes.
Já é tarde e as horas se perderam em algum lugar no espaço.
Respiro mais uma vez a brisa serena da noite e vou deitar-me em minha cama.
Fecho os olhos e relembro a lua e o seu brilhar; o rumorejar do grilo e o canto isolado do pássaro, e o vagar distante do bêbado.
Para onde será que ele foi...
Fecho os olhos e durmo.
É noite.
Ninguém a rua, nem mesmo vira-latas perdidos.
A quietude quebrada pelo sussurro leve de uma brisa fresca.
Aqui e ali o rumorejar de um grilo, impaciente com a hora noturna.
Tudo escuro.
Tudo parado.
Tudo solidão.
Vou à janela de meu quarto,
respiro fundo e olho paro o céu.
Vejo as estrelas cintilantes e a luz da lua derrama-me sensações evanescentes.
Como é bela esta noite. Que noite bela!
Não preciso de mais nada. Há amor e compaixão no brilho do luar.
Há perdão e há conforto.
Não há mais preocupações a não ser a preocupação de não querer o fim disso.
Olhar para a lua brilhante é um deslumbramento e não há metafísica suficiente que explique isso.
Baixo meu olhos, volto a rua.
Vejo um bêbado sem rumo, errante em linha reta.
Cambaleia-se e tropeça. Escora-se nos muros e nas grades dos prédios.
Não para. Segue seu rumo, ainda que não saiba onde chegar.
Resmunga alguma coisa, pragueja contra algo, almadiçoa alguém, e depois canta.
Canta alguma canção que é o bastante para lhe alegrar a alma.
Volto a mim.
Retomo meus pensamentos.
Ah! Esta noite! Ah! Este céu estrelado!
Hoje as luzes piscam mais brilhantes e a presença da lua é mais presente.
Sinto a presença dela dentro do meu peito e agora eu sou a lua e as estrelas.
Sinto a vastidão infinita do espaço dentro de mim
E me pergunto o que é ser, o que é sentir e o que é viver num sentido universal, de estrelas e galáxias, e de pó cósmico.
Sou agora o pó cósmico dos astros distantes e intocáveis. Pó!
Sou o pó de agora, o pó que fui ontem e o pó que serei amanhã.
O bêbado está mais longe...
Sua canção mais e mais longe. Não se ouve mais nada...
Um sacolejar nas folhas das árvores, um gorjeio distante e perdido de algum pássaro, que ressoa dentro de mim.
Esse som indistinto e vago irrompe no meu coração como uma pedra jogada num lago.
As oscilações tem para mim o mesmo efeito de se estar bêbado.
Estou embriagado da janela do meu quarto, numa noite escura e quieta.
E acima de mim só os astros cintilantes.
Já é tarde e as horas se perderam em algum lugar no espaço.
Respiro mais uma vez a brisa serena da noite e vou deitar-me em minha cama.
Fecho os olhos e relembro a lua e o seu brilhar; o rumorejar do grilo e o canto isolado do pássaro, e o vagar distante do bêbado.
Para onde será que ele foi...
Fecho os olhos e durmo.
Português
English
Español